Falta de planejamento faz clubes recorrerem aos patrocinadores


Por Felipe Andrade

Os clubes brasileiros têm registrado em seus balanços anuais milhões de reais em dívidas, devido a empréstimos junto às federações, bancos e à CBF. Aliado a isso, os times possuem poucas fontes de renda, fazendo com que fiquem dependentes de cotas de patrocínio, de TV e da transferência de jogadores para o exterior. O patrocinador exerce influência direta na vida de um clube, que necessita do dinheiro vindo das empresas patrocinadoras para montar equipes fortes e uma boa estrutura para disputar um campeonato de ponta em alto nível.


O radialista Gilberto Rodriguez, do programa Estádio 97, pensa dessa forma. Para ele, existe uma “cadeia” que leva o clube a ser refém dos patrocinadores e interfere diretamente na relação time-torcedor. “A partir do momento que a equipe tem um patrocinador, consegue montar um time forte. Com isso, vêm o títulos e, consequentemente, a satisfação da torcida, que compra produtos licenciados, ajudando na formação da renda do clube”. Na opinião de Gilberto, é impossível um clube viver sem patrocínio, visto que atualmente o futebol brasileiro não possui meios de ser auto-sustentável.

Outro ponto bastante discutido é o fato de a Rede Globo de Televisão ser a única detentora dos direitos de transmissão do futebol brasileiro (repassa o direito para a Rede Bandeirantes). Para ele, quando a Globo paga para transmitir, ela tem direitos. “A Rede Globo paga pela competição, e paga bem. A partir do momento em que os clubes concordam com isso, ela pode influenciar nos dias e horários das partidas. A única coisa errada é ter somente uma emissora que detém os direitos. Deveria ser aberto para que outras também pudessem transmitir.”

A necessidade dos clubes de ter em seu caixa o dinheiro vindo dos patrocinadores se mostra evidente na análise do “Balanço Anual” de cada um dos três times grandes da capital paulista. No ano de 2007, devido à conquista do Brasileirão de 2006 e à participação em torneios internacionais, só o São Paulo ganhou mais do que recebeu. Corinthians e Palmeiras, afetados por más administrações nos anos anteriores, fecharam 2007 no vermelho, gastando mais do que ganhando.

Somente cinco equipes terminaram 2007 no azul: Atlético PR, Santos, Juventude, Barueri e São Paulo, que fechou com lucro de R$ 3.848.000,00. Entre aqueles que ficaram no vermelho, os cariocas predominam. Flamengo, Vasco e Fluminense estão entre os cinco mais devedores do futebol brasileiro. Corinthians, que fechou com dívida de R$ 23.264.000,00 e Palmeiras, com R$ 24.189.000,00, estão em processo de reformulação do modelo de gestão de suas diretorias. Andrés Sanches e Luiz Gonzaga Beluzzo, presidentes de Corinthians e Palmeiras, respectivamente, aparecem como esperanças de um futuro sem dívidas e com dinheiro para investir no futebol.

Para mudar esse panorama, é necessário que os times brasileiros encontrem formas de se tornar mais independentes dos patrocinadores. Um clube brasileiro que está procurando, e exercendo, formas de se desvencilhar da dependência dos patrocinadores, é o Sport Club Internacional, de Porto Alegre. A equipe tem a maior rede de sócio-torcedores do país, e investe pesado para que o membro sinta-se parte do clube, fazendo com que traga rendimento aos cofres da instituição.

Para Paula Rabello, advogada, 23 anos, este é o fator principal para que ela seja sócia do Internacional. “Sou sócia por que ajudo o clube, tenho livre acesso aos jogos e, desta forma, me sinto parte do time”. A torcedora gaúcha, que paga mensalidade de R$ 55,00, destaca as vantagens de ser sócia: “Desconto na aquisição de produtos na loja do clube e em outros estabelecimentos como pizzaria, plano de saúde etc. Livre acesso aos jogos (para os sócios mais antigos) e desconto de 50% na aquisição do ingresso (para os sócios mais novos)”.

A espera pela adoção




Lentidão da justiça dificulta o encontro por um lar






Por Aline Parenti




Os principais problemas para se adotar uma criança continuam sendo a burocracia e a falta de estrutura nas varas da infância e da adolescência para atender à demanda das famílias interessadas. Mesmo após um ano do Projeto de Lei nº 6222/05 ter sido aprovado, as famílias ainda encontram dificuldades para seguir com os processos de adoção na justiça.

O texto do projeto foi elaborado pelo Grupo de Trabalho de Convivência - formado pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude (ABMP), Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ministério da Justiça e Ministério da Saúde.

A Lei, aprovada no dia 3 de agosto de 2009, prevê, entre outros itens, a criação de um cadastro nacional de potenciais adotados e adotantes que o Ministério Público deve alimentar e fiscalizar, assim como os critérios para convocação de interessados, a prioridade para adoção em território nacional e a fixação de prazos para decreto de perda do pátrio poder, de modo a agilizar a inclusão das crianças no cadastro. Determina também que o menor não poderá permanecer mais de dois anos em abrigos. Porém, não é isso que tem acontecido ultimamente.

A professora de português Lucia Regina está na fila para adotar uma criança há um ano e meio. Lucia não pode ter filhos e há muito tempo planeja adotar um recém-nascido. “Eu sempre quis ser mãe e quando me casei coloquei meu nome na fila para adoção. A assistente social já visitou a minha casa, fez toda a triagem e conversou comigo e com o meu marido, mas ainda não fui chamada”, conta.

O vice-presidente da AMB (Associação dos Magistrados do Brasil) para Assuntos da Infância e da Juventude, Francisco de Oliveira Neto, diz acreditar que a Lei da Adoção promoveu mudanças necessárias por ter criado, em primeiro lugar, o prazo máximo de dois anos de permanência de crianças e adolescentes em abrigos. “Segundo, porque obrigou os juízes a justificar, a cada seis meses, a permanência dos menores nessas instituições”, afirma Oliveira.

Na opinião do deputado João Matos (PMDB-SC), autor do projeto, a fila enfrentada pelas famílias que querem adotar ainda é muito longa por causa da burocracia. “Se a destituição do poder familiar fosse mais rápida, haveriam mais crianças disponíveis para a adoção”, garante.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem cerca de 30 mil pretendentes à adoção no Brasil e 4,7 mil crianças e adolescentes cadastrados e aptos a serem adotados. Outro dado levantado pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) mostra que 80 mil crianças vivem em abrigos e que apenas 10% delas podem ser adotadas, por causa da lentidão da justiça.

Para a representante do Conselho Nacional de Psicologia, Iolete Ribeiro da Silva, falta estrutura no Poder Judiciário para que a lei seja cumprida. “A estrutura é precária e inoperante. Faltam profissionais (assistentes sociais e psicólogos, especialmente) para analisar os processos, fazer a triagem das famílias e realizar todos os procedimentos necessários à adoção” afirma a psicóloga.

Iolete também afirma que não concorda com a omissão da lei com relação à possibilidade de casais homossexuais adotarem uma criança. Segundo a psicóloga, a lei descreve apenas que “para a adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham uma união estável, comprovada a estabilidade da família”. Para a representante, essa omissão joga a responsabilidade da decisão no juiz responsável pelo processo na Vara de Infância e Juventude.

A pedagoga Santina Parenti trabalha a três anos em um orfanato localizado no bairro do Patriarca, zona leste de São Paulo. Segundo Santina, muitas famílias visitam o local e demonstram interesse em adotar um jovem, porém desistem quando tomam conhecimento de todo o processo judicial que isso envolve e o quanto é demorado. “Muitas vezes, as famílias se apaixonam e querem que aquela criança faça parte da sua família, mas o processo de adoção é tão lento e impõe tantas regras que várias desistem no meio do caminho”.

A pedagoga ressalta outro ponto importante: “A preferência das famílias é por crianças recém-nascidas ou menores de três anos e a maioria dos meninos não se enquadra nesse perfil”.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) cerca de 80% das famílias interessadas na adoção procuram filhos adotivos de até três anos, porém apenas 7% das crianças cadastradas estão nessa faixa etária.

“A lei não vai mudar isso. Essa preferência tem razões culturais e é necessário um processo educativo para mudar isso”, diz a pedagoga, apontando a necessidade de políticas sociais para estimular a adoção de crianças mais velhas e adolescentes.



Idosos no mercado de trabalho

Por Aline Parenti


“Ainda sou capaz de fazer muitas coisas, não sou inútil”. Foi assim que João Féba Neto, 68, encerrou a entrevista. Ele afirma ser capaz de realizar, tranquilamente, trabalhos hoje feitos por jovens. A população idosa cresceu nos últimos anos, mas o mercado de trabalho ainda não se adaptou ao novo cenário. A terceira idade ainda é vista como incapaz de trabalhar e de acrescentar algo ao mercado. Continuam sendo consideradas limitadas e improdutivas.


Silvestre, professor de geriatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, disse que há uma mudança no crescimento populacional. “Até 1960, todos os grupos cresciam de forma semelhante, o que deixava estável a estrutura da pirâmide etária. De lá para cá, o grupo com mais de 60 anos foi o que mais cresceu proporcionalmente no Brasil, enquanto a população jovem encontra-se em um processo de desaceleração”. O geriatra também afirma que o novo século inicia com crescimento oito vezes maior da população idosa, comparado ao crescimento dos jovens.


O que se tem observado é uma diminuição nas taxas de fecundidade, natalidade e mortalidade. As novas tecnologias proporcionam mais esperança de longevidade. Muitas doenças têm sido curadas e novos medicamentos e tratamentos são descobertos todos os dias, aumentando a expectativa de vida de vida da população. O envelhecimento da população mundial apresenta um novo desafio para os países. A chamada “crise da velhice” pode acarretar problemas na Previdência Social, tornando-se uma barreira para o crescimento econômico. Porém, algumas empresas no Brasil encontraram uma forma de driblar esse problema.


A rede de fast-food Pizza Hut tem selecionado aposentados para trabalhar em seus estabelecimentos. Dora Santini Tavares, 76 anos, faz parte do grupo de colaboradores da empresa. A aposentada afirma que se sente realizada com o emprego e que pouco a pouco ela está conquistando a confiança de todos. “No meio dos meus colegas de trabalho, uma 'rapaziada' de 20 anos, conquistei espaço no apertado mercado de trabalho com minha simpatia, vontade de viver e determinação. Não é bom depender de ninguém”. A aposentada ainda afirma que o dinheiro extra ajuda bastante. “O salário que eu recebo é para comprar roupas, perfume e não ter de pedir dinheiro para o meu marido aposentado. O plano de saúde e a cesta básica são considerados um alívio nas minhas contas do mês”.


Assim como Dora, muitos outros aposentados se encaixam no grupo de pessoas economicamente ativas (PEA), ajudam a complementar a renda familiar. Segundo um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Fundação Seade, os setores que mais empregam aposentados com mais de 60 anos são os de serviços (52,8%), comércio (22,3%) e indústria (11,9%). De acordo o diretor do Dieese, Ganz Lúcio, em entrevista ao site do órgão, o número de pessoas com mais de 60 anos atuando no mercado é muito grande. “Existem mais idosos trabalhando na região metropolitana de São Paulo do que toda a população de muitas cidades do interior. O idoso tem uma participação importante na renda da família, apesar de o rendimento dele ser menor do que o de outras faixas etárias”, diz.


O estudo também aponta que o expediente de trabalho do idoso não difere muito dos mais novos. A carga horária é, em média, de 44 horas semanais. Para contribuintes com mais de 60 anos, a jornada chega a 41 horas por semana. Os idosos permanecem por mais tempo no emprego, cerca de 12 anos. As outras faixas etárias permanecem em média nove anos no mesmo local.


Estima-se que até 2050 a população idosa mundial será de 1,9 bilhão. Ou seja, a cada cinco pessoas, uma será terá mais de 60 anos. A preocupação agora é como alcançar a melhor idade em condições saudáveis. A ciência, por enquanto, consegue retardar alguns efeitos do envelhecimento, mas como preservar a independência e autonomia do individuo?


Idosos como o seu João e dona Dora não gostam e não querem se tornar dependentes de seus familiares. Faz-se agora necessário uma mudança na estrutura social. Pessoas mais experientes exigem o seu espaço para desenvolver, criar e ter uma vida mais prolongada e saudável, respeitada pelos demais. Os aposentados que possuem um emprego, uma atividade esportiva ou cultural são menos propensos a desenvolver depressão ou outra doença de fundo emocional, o que aumenta sua expectativa de vida.


Yesterday...


Por J.Paulo Carvalho

Quando criança, costumara associar lágrimas à tristeza. Como se chorar fosse algo ruim, pungente. "Se Deus não quisesse que você chorasse, ele não teria te dado lágrimas", disse certa vez o homem da imagem acima.

Naquela noite, enquanto a chuva caia, as lágrimas de muitos ali presentes eram a representação real do sentimento mais verdadeiro.

Meteorologicamente falando, se é que este termo existe, é impossível que todos os efeitos climáticos aconteçam no mesmo lugar, em poucas horas.
De acordo com as leis da física, dois corpos também não conseguem ocupar espaços iguais. Assim como as quatro estações do ano não surgem de uma única vez.

Coisas lógicas, porém, ignoradas quando se está diante de um homem e seu blazer roxo. Ele tem super poderes. Faz a terra toda tremer. Provoca choro.

Um choro alegre, com Ob-La-Di Ob-La-Da ou um choro de revolta, com toda a agressividade de Helter Skelter.

John e George viam tudo ali, bem de pertinho. Dizem os mais devotos que eles subiram ao palco apoteótico do Morumbi e tocaram A Day In The Life e Something.

Mas quem é este homem que provoca tanto alvoroço? Ele não fala nossa língua, brinca com a intensidade da chuva e a mesma, subitamente, atende a seus pedidos e para, sem hesitar.

Com a voz um pouco trêmula, talvez pela idade, comanda um coral de 65 mil pessoas. A multidão repete seus gestos, suas palavras e, muitas vezes, não sabe o real significado.

- Olha, pai, é o Paul McCartney! Grita uma garotinha
Um sonho que eu não gostaria que acabasse.

Antes de acordar, um recado: Paul, obrigado por ter escrito a história da minha vida, mesmo antes de eu nascer.


Foto: Agência Estado/AE

Adolescência e Gravidez

Por Priscila Souza

Mesmo com inúmeras campanhas, propagandas na TV, exemplos nas novelas, palestras nas escolas etc, o número de grávidas ainda na adolescência continua crescendo. Está cada vez mais comum nos depararmos com "crianças carregando outras crianças no colo". Isso acontece porque os adolescentes estão iniciando a vida sexual muito mais cedo do que o comum.

Em entrevistas com alguns jovens que passam ou já passaram por isto, revela-se que todos conhecem e sabem como se prevenir antes/durante a relação sexual, porém na maioria das vezes deixam de lado a consciência, e só pensam no prazer momentâneo.

A gravidez na adolescência envolve muito mais que um problema físico, envolve também problemas sócias e emocionais. Em entrevista com o ginecologista Carlos Amadeu, 51, vimos que a melhor alternativa para que essas gravidez indesejáveis sejam evitadas, os pais devem manter um dialogo com filhos, dando conselhos, esclarecendo dúvidas, mostrando como se prevenir, e deixando bem claro as vantagens e desvantagens de quem possui uma vida sexual ativa.

É muito importante que haja diálogo entre os pais e filhos, até mesmo os professores e os próprios adolescentes, como forma de esclarecimento e informação. “Quando o jovem tem um bom diálogo com os pais, quando a escola promove explicações sobre como se prevenir, o tempo certo em que o corpo está pronto para ter relações e gerar um filho, há uma baixa probabilidade de gravidez precoce e um pequeno índice de doenças sexualmente transmissíveis”, diz Carlos.

É importante ressaltar que quando diagnosticada a gravidez, a adolescente deve começar imediatamente o pré-natal, receber o apoio da família, em especial dos pais, ter auxílio de um profissional da área de psicologia para trabalhar o emocional dessa adolescente. Dessa forma, ela terá uma gravidez tranquila, terá perspectivas mais positivas em relação a ser mãe, pois muitas entram em depressão por achar que a gravidez significa o fim de sua vida e de sua liberdade.

Vanessa Almeida, 23, ficou grávida aos 15 anos. "Foi um descuido de minha parte, sempre me preveni, mais estava em uma situação inesperada que na hora não pensei nem duas vezes, e deixei me levar pelo prazer. No mês seguinte descobri que estava grávida, e confesso que cheguei a pensar em morrer", diz Vanessa.

Assim como Vanessa, muitas adolescentes entram em estado de choque quando descobrem a gravidez inesperada. O prazer momentâneo que os jovens sentem durante a relação sexual transforma-se em uma situação desconfortável quando descobrem a gravidez. Nessa hora que o apoio dos pais, familiares e amigos entram em jogo, pois nada é mais importante do que eles neste momento. “Se não fosse o apoio dos meus pais, e amigos, não sei o que seria de mim”, diz Vanessa.

Converse, conscientize, esclareça, previna seus filhos, pois saber das consequências de uma gravidez indesejada pode ser um dos caminhos para que eles não cometam o mesmo erro que muitos já cometeram.

Foto: divulgação

Geração Pکy τяลทcє



Por Priscila Souza

Essa tribo recente vem com tudo. Desde o modo de se vestir à maneira de dançar. “Os psyzeros dançam como se ninguém estivesse olhando. Se vestem com o menor número de roupa possível e, nas baladas, são sempre os primeiros a chegar na pista de dança e os últimos a sair”, relata a estudante de nutrição Gabriela Almeida, de 20 anos.

Os DJs israelenses e europeus viajaram para a Índia para descobrir a energia das festas de praia em Goa e fez-se o som. “Os maiores astros vêm de Israel. As festas, em geral, acontecem muito longe das grandes metrópoles, duram cerca de 12 horas, com a música tocando sem parar. Psy, que hoje é o estilo de música eletrônica mais popular no Brasil, ficou conhecido recentemente”, afirma Rica Amaral, uns dos DJs mais bem sucedidos do país, desse gênero musical.


As meninas costumam usar sainha com bota de salto plataforma e topinho. Os meninos geralmente usam bermuda ou calça, sem camisa. As baladas não acontecem em galpões fechados ou escuros, mas a céu aberto promovendo o contato com a natureza.


Os organizadores desses eventos investem muito em decoração e nas fantasias de artistas de circo, como malabaristas ou engolidores de fogo, para animar a imensa pista ao ar livre. O público gosta de se concentrar na música. A futura nutricionista afirma que o ritmo é contagiante. “Ele entra em meu corpo e eu não consigo fazer outra coisa a não ser curtir a vibe”.


O público desses eventos também varia. Logo se percebe que a idade da galera é bem restrita. São jovens entre 15 a 25 anos. Essas festas chamam muito a atenção dos jovens porque ocorrem em contato com a natureza, fazem com que eles saiam da vida urbana e entrem em contato com o ar livre.


“As raves paulistanas XXXPerience e a Tribe são atualmente as maiores marcas do psy-trance. Elas atraem facilmente de 20 a 25 mil pessoas em cada edição. Nada mal para um estilo que praticamente não toca no rádio, é ignorado pelos meios de comunicação e raramente conta com patrocínio de grandes empresas”, comenta Feio, um dos DJs mais famosos desse universo musical.


Para Kássia Martins, bancária e apaixonada por trance, a rave é o único lugar onde todas as pessoas são felizes e que naquele momento não existe dor, nem fome, nem inveja, nem tristeza. "É como se todos os sentimentos ruins ficassem do lado de fora, onde nada de mal te acontece, e a felicidade fica constantemente estampada em seu rosto", comenta a bancária.


ORAÇÃO DO PSY TRANCE:

TRANCE NOSSO QUE ESTAIS NO SET, SANTIFICADA SEJA VOSSA BATIDA, VENHA A NÓS A VOSSA VIBE, E SEJA FEITA A VOSSA MIXAGEM, ASSIM NO PROG COMO NO FULL-ON. O LINE NOSSO DE CADA RAVE NOS DAI HOJE, E PERDOAI OS CHACOTEIROS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS OS FRITOS. E NÃO OS DEIXEIS CAIR EM BAD TRIP, MAS LIVRAI-NOS DO HOUSE. AMÉM!

Foto: divulgação

A arte, a terra e a espiritualidade

Por Thalita Féba


Pintar um quadro, escrever um poema, cantar uma música. A arte pode ser expressa de várias formas. Uma breve apresentação de rua ou uma luxuosa exposição, uma simples venda ou só admiração.



Uma artista plástica brasileira encontrou um jeito único de simplesmente iniciar uma obra, e deixar que a natureza aja de forma incontrolada sobre ela. Criando assim uma identidade única em cada uma de suas produções. Este é o objetivo de Cristina Oiticica, que transforma misticidade em arte.

Todos os quadros produzidos por Oiticica são enterrados em lugares inusitados: às margens de rios, bosques, florestas e montanhas, ficando em média de seis meses a um ano. Após esse período, Cristina volta ao local e os desenterra. Com um misto de surpresa e ansiedade, confere os resultados inimagináveis que são produzidos após o desenterro de seus quadros."A cada obra retirada, posso sentir uma emoção diferente, encontro raízes que entranham na trama da tela, bichinhos que deixam a sua marca, terra, folhas e flores que grudaram e se transformaram, sombras causadas pela umidade, cores que mudaram tonalidades e formas totalmente diferentes. Sem dúvida, é a impressão digital da natureza" afirma.


Espiritualidade x Arte


Traçando um perfil espiritualista, ela declara que parte de sua inspiração também é baseada nas obras do escritor francês André Gide, que define a arte como "a colaboração entre Deus e o artista, quanto menor interferência do homem, melhor". Cristina se baseia no universo feminino para criar.



A artista define a natureza como ventre natural de todas as suas obras. "Quando enterrei na Amazônia por um ano, os trabalhos tinham raízes, bichos que comeram a tela, a coloração mudou totalmente. enterrar um quadro ou deixá-lo na natureza nada mais é que uma total entrega e oferenda dele para que a energia feminina da terra trabalhe junto comigo. Eu vejo uma coisa mais séria que simplesmente a transformação visual/estética dele. Acho que de alguma maneira, cada obra carrega alguma coisa muito especial do lugar aonde foi enterrada", relata, emocionada.